UMA HISTÓRIA VIVIDA
Estamos vivendo o outubro rosa, e
para nós que somos voluntárias da Liga Feminina de Combate ao Câncer, sentimos
a necessidade de compartilhar as experiências vividas com irmãos que lutam pela
vida. Todas as semanas estamos recebendo novos pacientes, novos dramas, novas
histórias.
E, hoje, relendo estas histórias, revejo um encontro, que foi muito
especial, e quero fazer este relato para que as pessoas sintam e vejam os
dramas que muitos doentes enfrentam, pala falta de atenção de seus familiares.
Encontramos dona Noemi, sozinha, na sala de quimioterapia (já há alguns anos
atrás), muito triste, deprimida, no fundo do poço e delicadamente, ela começou
a contar a sua história. Seu marido, sem paciência, muito agressivo lhe dizia
palavras ásperas por não aceitar a volta do câncer. Além disso, tinha um filho,
que se preparava para ser juiz, e que também lhe magoava, dizendo-lhe que ela
fingia. Escutávamos esta irmã no seu desabafo.
E continuava, contando que ela,
era muito rica e que a vida toda não precisou de empregados, pois ela mesma
preferia cuidar dos seus móveis e louças, e cristais caros... e o que lhe
restara hoje? Estava ela, mal podendo andar e agarrando-se entre os móveis.
Todos a ignoravam. Então resolvera criar grandes tiras de papel com frases ásperas e duras, colocando em toda a cozinha. Chegou a mudar para o quarto de
hóspedes. Comprou um cachorrinho para conversar, e que também estava sendo
maltratado.
O desespero era tanto e o sofrimento maior ainda daquela irmã que
nos confiou o seu drama. E pedia ajuda. Escutei-a, carinhosamente, e lhe
orientei, que a partir daquele dia, mudasse o seu comportamento, começando na
retirada daquelas tiras negativas e substituí-las com frases positivas, como: “ Eu tenho fé em Deus”. “ Jesus é o médico e
Ele vai me curar”. “Eu sou feliz, posso tomar remédios”. “A medicina terrena
será vitoriosa”. “ Eu ganhei amigos que estão segurando a minha mão”...
E, assim ela procedeu. Quinze dias após, dona
Noemi chegou para uma nova sessão, muito alegre, de mãos dadas com o marido e
junto, seu filho. Deu-me, ela, uma piscada e entendi o recado. Seu filho. Seu
filho, ligou-me da cidade onde moravam e conversou muito sobre tudo, e graças a
Deus, a compreensão e o atendimento fraterno voltou àquela família.
Queridos leitores, esta história
precisava ser conhecida, pois jamais imaginamos semelhante situação com pessoas
abastadas, educadas e esclarecidas. Não custa nada a palavra de consolo, de
conforto, de coragem, de fé, de resignação, de compreensão.
A Doutrina Espírita
está aí para ajudar aquela que realmente quer ser ajudado. Nós temos uma missão
e procuramos fazer o melhor possível. Nosso querido, Chico Xavier, nos orienta:
“Quando a provação te visite, a modo de ventania destruidora, sofre com
paciência e colherá dela renovado vigor semelhante à árvore que se refaz pela
angústia da poda.
E toda vez que sejamos induzidos a condenar alguém por essa
ou aquela falta, inventariemos nossas próprias fraquezas e reconheceremos de
pronto que nos encontramos de pé, em virtude da paciência inexorável de DEUS”.
Vamos pensar mais sobre estas
mazelas, deste outubro rosa, e vamos em busca da ajuda. Precisamos do médico
terreno, dos amigos, e principalmente, acreditarmos na medicina Divina.
Tenhamos força e busquemos ajuda em nosso credo religioso, só assim o
fortalecimento virá. Confiemos sempre!
PRESENÇA ESPÍRITA
Maria Loní Madrid




